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trabalhos recentes, foi posta em evidencia a importancia do uso da escrita
para a construção da história de Angola, nomedamente
através do exemplo, exuberante, dos Estados Ndembu. Nesta comunicação,
sem abandonar os problemas associados à escrita, procuramos centrar-nos
na segunda metade do século XVIII e duas primeiras décadas
do XIX, para dar conta de uma articulação, que me parece
pertinente sublinhar, entre o período da política colonial
proposta pelo Iluminismo português e a sedimentação
de uma linguagem burocrática, nas relações entre
poderes constituidos e reconhecidos entre si. Burocracias coloniais
e burocracias africanas, rotas burocráticas assentes numa retórica
fina, dão-se a conhecer em documentação que cobre
uma área geográfica vasta (governos de Angola e Benguela)
e uma hierarquia instituicional ampla (desde o Conselho Ultramarino
em Lisboa, aos documentos dos sobados, passando pelos capitaes-mores
dos presídios). |
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